Essa é uma das perguntas mais comuns entre brasileiros que sonham conhecer os EUA. E o que eu mais vejo por aí há muuuitos anos, desde que começamos por aqui, é o tal do: "aiiin, dá sim pra ir sem falar nada em inglês". E sabe o que eu digo desde que o mundo é mundo? Dá, mas não deve! Não é obrigatório falar inglês fluentemente para viajar pra lá, mas eu recomendo fortemente ter ao menos uma base funcional.
Você não vai ser barrado se não falar inglês e você pode até conseguir se virar em certas situações com mímicas ou um Google Translate, mas existem outras situações que eu garanto (até pq, já passei por elas) que se não falar e nem entender nada você vai ficar em maus lençóis.
E entre “não ser obrigatório” e “ser prudente” há uma linha tênue e faz toda a diferença na experiência da viagem.
O inglês é exigido oficialmente?
Do ponto de vista legal e formal, não existe nenhuma norma que exija fluência em inglês para entrar nos Estados Unidos como turista. O que se exige é documentação regular, visto válido, passaporte em dia e respostas coerentes durante a imigração.Entretanto, é importante compreender que o processo de imigração é conduzido em inglês. Em alguns aeroportos pode haver agentes que falam espanhol ou compreendem o básico, mas isso não é garantido. De todas as vezes que fomos, não pegamos ninguém que falasse português ou espanhol a ponto de termos uma conversa inteira em um desses idiomas, era só inglês mesmo.
Entenda, você não precisa ser o Professor Pascoal "versão americana", falar O Inglês fluente e com A Perfeição gramatical. Óbvio que se seu inglês é assim, é muuuito melhor, mas se não for também ninguém morre, o fundamental é você conseguir entender perguntas e responder com clareza e segurança a ponto do outro entender de primeira.
Dá para viajar sem falar inglês nenhum?
É possível, mas a experiência tende a ser mais limitada e, em alguns casos, mais estressante. Hotéis, aeroportos e grandes centros turísticos até contam com funcionários habituados a lidar com estrangeiros, porém o cotidiano da viagem envolve situações como:
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Pedir informações;
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Ler avisos e orientações;
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Entender regras de transporte;
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Resolver imprevistos;
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Fazer compras;
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Solicitar ajuda em emergências.
Sem qualquer conhecimento de inglês, o viajante fica excessivamente dependente de aplicativos, terceiros ou acompanhantes, o que reduz a autonomia e pode gerar insegurança. Fora a demora nesse "diz que me disse".
Outro ponto que muitos desconsideram, é a importância do idioma durante o voo. Se você voar em uma companhia que não seja brasileira, pode pegar uma tripulação não fale português, consequentemente, instruções de segurança, avisos e comunicações gerais costumam ser feitos em inglês. Isso não impede a viagem, mas reforça a importância de compreender ao menos o básico para acompanhar orientações e evitar insegurança desnecessária. Ou até se der um BO de downgrade e coisas do gênero, você vai saber resolver a situação sem ter que gritar um 'fale em português' e passar esse vexame, pois quem escolheu a companhia aérea que não é brasileira foi você, quem deveria saber falar inglês é você e não a tripulação americana de uma companhia americana/gringa! 😅Qual nível de inglês é suficiente para viajar?
Não é necessário inglês avançado ou acadêmico. O ideal é um inglês de intermediário para avançado e funcional, voltado para situações práticas, como por ex.: cumprimentos, perguntas simples, vocabulário de aeroporto e hotel, frases para restaurantes e compras, compreensão de números, horários e direções.
Mas não é só isso e posso te dizer 4 situações que aconteceram conosco e o inglês era imprescindível e não se limitou a esse basicão aí!
Situação 1 - Alugamos um carro, estava tudo indo bem, já tínhamos saído do aeroporto, já estávamos rodando com o carro uns dois dias e aí pá: uma luz no painel acendeu e não apagava. Descobrimos que era problema no óleo. Ligamos na locadora, falamos o que estava acontecendo e a atendente disse quais opções tínhamos, como ir até o local que ela indicou para trocar o óleo ou ir ao aeroporto e trocar o carro.
Situação 2 - Check-in do hotel, a atendente disse que nosso quarto havia sido trocado por outro. Era um upgrade, mas ela precisou explicar o que aconteceu, nos falar o que tinha nesse outro quarto e informar o valor de diferença (o que, aliás, não teve! Acabou mudando para um quarto bem maior e melhor sem pagar nada) e se queríamos esperar por outro quarto igual ao nosso ou ficar nesse que ela ofereceu.
Situação 3 - Perdi uma pulseira no Panera Bread, mas até me ligar que tinha sido lá, tracei a rota dos locais que havia ido para poder falar com os funcionários e ver se alguém havia achado. Falei primeiro no lobby do hotel da Disney sobre a situação, ela me orientou que deveria preencher um formulário e se alguém achasse, eles me devolveriam. Aí depois liguei no Panera Bread, mas antes de falar com um atendente, tinha aquelas gravações e ainda passou por outros ramais, depois consegui falar com uma funcionária que pediu para eu falar o que tinha na pulseira para ver se era a minha mesmo (tinha outras 3 da mesma marca perdidas!😂). Confirmada que era minha, ela me disse que estava lá e eu poderia ir buscar.
Percebam: são 3 situações que você pode achar besteira, que dá pra se virar sem falar nem entender nada do idioma ou que dá pra se virar com tradutor, mas nãããão dá! Em situações como por telefone, não dá pra fazer todo aquele rolê de colocar a pessoa pra falar no google translate, você escrever a resposta etc etc... Sem contar que nessas três situações ninguém falava português ou espanhol.
Mas não são só situações 'bobinhas' como essas que podem acontecer em uma viagem, considere: você pode precisar ir para a emergência do hospital, pode bater o carro, pode ter o carro roubado, o passaporte perdido... Percebe que são várias situações que a gente reza pra não acontecer, mas que se acontecer a gente tem que saber falar bem como entender o inglês?
Mas você, teimoso que é, vai querer insistir e me dizer...
Mas tem aplicativo de tradução... Isso resolve!
É aquilo que eu disse acima, tem situação que não vai dar pra usar, simples assim. Aplicativos ajudam, mas não substituem o mínimo de compreensão. Dependência exclusiva de tecnologia pode ser problemática em locais sem internet, em situações urgentes ou quando a comunicação precisa ser rápida.
Além disso, na imigração e em atendimentos formais você não deve depender apenas de aplicativos. A familiaridade mínima com o idioma demonstra preparo e organização, o que conta positivamente na experiência geral.
Então, vale a pena aprender inglês para viajar?
Sem dúvida. Aprender inglês para viajar não é apenas uma questão de idioma, mas de autonomia, segurança e aproveitamento da experiência. Sem contar que é uma questão de educação, você está num lugar que não é o seu país, então o mínimo que se espera é se adequar as regras, idiomas, costumes do país em que está e não ser o sem noção e impor que o outro saiba falar o seu idioma!
Você não precisa falar inglês fluentemente, mas precisa estar minimamente preparado para se comunicar. A diferença entre uma viagem tensa e uma viagem leve costuma estar justamente nesse preparo.
E você, o que acha?


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